Dezembro traz as listas. Cinquenta perguntas sobre seus valores, suas lições do ano, a sua palavra para o ano novo. Você salva uma, pensa em sentar com uma boa caneta e, na segunda semana de janeiro, ela continua sem resposta, ao lado da do ano passado.
Aí você pula o balanço e vai direto para as metas, e as mesmas voltam: o mesmo plano de academia, o mesmo idioma, o mesmo "dessa vez vai". Um ano pode ensinar muito, mas só se você parar para olhar para ele pelo menos uma vez. Aqui vai um balanço que leva 15 minutos, faz cinco perguntas e termina com um passo pequeno para o primeiro dia do ano novo. Não um plano para 2027. Um passo.
Por que cinco perguntas funcionam melhor que cinquenta
Cinquenta perguntas tomam uma noite que você provavelmente não tem e terminam em anotações, não em ação. Cinco cabem em um quarto de hora. Duas descobertas decidem quais vêm primeiro.
Comece pelo progresso. No livro The Progress Principle (2011), Teresa Amabile e Steven Kramer analisaram cerca de 12.000 registros de diário, escritos dia após dia por 238 pessoas. O traço mais comum dos melhores dias de trabalho era avançar em um trabalho que importava para elas, mesmo que pouco. Eles estudaram o trabalho, mas é uma boa lente para o resto da vida também: procure o que andou, não só o que foi concluído.
Depois, seja gentil com o que não deu certo. Juliana Breines e Serena Chen (2012) descobriram que, depois de uma falha, a autocompaixão, isto é, receber o próprio tropeço com a compreensão que você daria a um amigo, aumentava a motivação das pessoas para melhorar. E aumentava mais do que um reforço na autoestima ou do que não fazer nada. Ser duro consigo mesmo pode parecer o que uma pessoa séria faz. Nessa pesquisa, a gentileza não foi a opção mole: foi a que fez as pessoas quererem melhorar.
Antes de começar
Programe um timer para 15 minutos e abra suas anotações ou pegue uma folha de papel. Escreva respostas curtas, de uma a três linhas cada, e não edite. No próximo dezembro, essas anotações serão a primeira coisa que você vai querer ler.
Pergunta 1. O que avançou este ano? (3 minutos)
Anote tudo o que melhorou, começou ou terminou. O tamanho não importa. Passe os olhos pela agenda e pelas fotos, porque a memória perde primeiro as coisas pequenas. E nada de "mas": só o que aconteceu.
- Corrida: "Em março eu não conseguia correr dois minutos. Em outubro corri 5 km."
- Idioma: "Terminei o primeiro livro do curso e pedi o jantar em inglês nas férias."
- Trabalho: "Assumi o relatório mensal e entreguei no prazo todos os meses."
Pergunta 2. O que não aconteceu e o que atrapalhou? (3 minutos)
Escolha duas ou três coisas que você planejou e não fez. Ao lado de cada uma, escreva o que aconteceu no tom que usaria com um amigo, não com um juiz. Em geral é uma de quatro coisas: o plano era grande demais, o momento estava errado, a vida mudou ou você deixou de se importar. As quatro servem, e a última é permitida. Uma meta que já não combina com você pode ir embora.
- Violão: "Comprei em fevereiro, toquei quatro vezes. Eu ficava esperando uma hora livre."
- Escrita: "Eu queria escrever antes do trabalho. Em setembro, as manhãs viraram hora de levar as crianças para a escola. Horário errado, não pessoa errada."
Se o ano trouxe algo pesado, como uma perda, uma doença ou um burnout, não force nesta pergunta. Escreva uma linha só e converse com alguém de confiança ou com um profissional, se isso ainda estiver pesando.
Pergunta 3. O que você manteve sem esforço? (2 minutos)
Num estudo com diários feito por Wendy Wood, Jeffrey Quinn e Deborah Kashy (2002), algo entre 35% e 43% das ações do dia a dia eram hábitos: coisas feitas quase todo dia no mesmo lugar. Ou seja, a sua vida já tem rotinas que você nunca precisou se convencer a seguir. Encontre as suas. São o chão mais firme que você tem, e a meta do ano que vem fica muito bem ao lado de uma delas.
- Esporte: "Terça, escalada depois do trabalho, sem negociar."
- Leitura: "Dez páginas no ônibus."
- Trabalho: "Sexta: zerar a caixa de entrada e anotar as três tarefas de segunda."
Pergunta 4. O que você leva para o ano novo e o que deixa para trás? (3 minutos)
Faça duas listas curtas. Levar: o que te deu energia ou aquilo de que você quer mais, no máximo três coisas. Deixar: o que custou mais do que deu, ou não combina mais. Deixar algo é uma decisão, não um fracasso.
- Levar: a escalada de terça, a leitura no ônibus, a rotina do relatório mensal.
- Deixar: aprender três idiomas ao mesmo tempo, responder mensagens do trabalho depois das 22h, o violão, por enquanto.
Pergunta 5. Qual meta, uma só, e qual é o primeiro passo? (4 minutos)
Escolha uma coisa da lista de levar, ou aquilo que você mais gostaria de ver citado no balanço do próximo dezembro. Depois escreva o primeiro passo: algo que dê para terminar de uma sentada só, de 5 a 30 minutos, tão pequeno que sua reação sincera seja "tá bom, isso eu consigo". Acrescente um "pronto quando" e uma data, e coloque na agenda agora mesmo.
- Corrida: meta, 5 km até junho. Primeiro passo em 2 de janeiro: correr um minuto, caminhar dois, cinco vezes. Pronto quando a quinta rodada terminar.
- Idioma: meta, pedir o jantar em inglês na viagem. Primeiro passo: aprender oito palavras de cardápio. Pronto quando você conseguir dizer cada uma sem olhar.
- Criação: meta, terminar o conto. Primeiro passo: reler a última página e escrever três linhas novas. Pronto quando as três linhas estiverem na página.
Se a sua meta é grande, nosso guia sobre como dividir uma meta grande em pequenos passos mostra como encontrar esse primeiro passo. Uma meta, um passo. O resto pode esperar.
O balanço num relance
| Pergunta | Tempo | Você escreve |
|---|---|---|
| 1. O que avançou? | 3 min | 5 a 10 pequenas vitórias |
| 2. O que não aconteceu? | 3 min | 2 ou 3 pontos, cada um com um motivo gentil |
| 3. O que rolou sozinho? | 2 min | 2 ou 3 hábitos que você já tem |
| 4. Levar ou deixar? | 3 min | até 3 para levar, alguns para deixar |
| 5. Uma meta, primeiro passo | 4 min | uma meta, um passo, uma data |
Duas variações
Fazer o balanço a dois
Cada um responde às perguntas 1 a 4 por conta própria, durante dez minutos, e depois vocês compartilham só três coisas: as vitórias, a lista de levar e o primeiro passo. Duas regras: nada de conselhos, a não ser que peçam, e nada de comparação. Quem te conhece bem pode lembrar de vitórias que você esqueceu.
Um minibalanço mensal
No último domingo do mês, reserve cinco minutos para três perguntas: o que avançou, o que atrapalhou, qual é o próximo passo? Depois de doze rodadas, a resposta da pergunta 1 de dezembro já estará escrita.
Erros comuns
- Começar pelo que deu errado. Abra com as vitórias, para o balanço parecer um inventário, e não um julgamento.
- Escrever sentenças em vez de fatos. "Eu não tenho disciplina" não diz nada. "As manhãs foram engolidas pela escola" diz o que mudar.
- Levar tudo para o ano novo. Oito metas são uma lista de desejos. Uma meta e um passo são um começo.
- Terminar com um plano de doze meses. Um plano detalhado para julho é chute em janeiro. Termine numa terça-feira.
Perguntas frequentes
Quanto tempo deve levar o balanço do ano?
Quinze minutos bastam. Se você tiver mais tempo, gaste na pergunta 1, a que as pessoas costumam atropelar, em vez de acrescentar perguntas.
Qual é a melhor hora para fazer?
Qualquer momento tranquilo antes de definir as metas do ano que vem. Os dias antes da virada servem para muita gente, mas um domingo de janeiro também funciona. Primeiro o balanço, depois o plano.
E se o ano foi ruim?
Então as vitórias serão pequenas, e tudo bem: "eu aguentei" conta. Deixe a pergunta 2 em uma linha só e escolha o menor primeiro passo em que conseguir pensar. Se o peso do ano estiver grande, conversar com alguém de confiança ou com um profissional vale a pena por si só.
Posso escolher mais de uma meta?
Comece com uma. Quando ela estiver num ritmo constante, acrescente uma segunda. Para saber o que fazer quando janeiro chegar, leia como cumprir as metas de ano novo e não desistir em janeiro.
Dê o primeiro passo do ano com o Aimora
O Aimora começa onde o balanço termina. Conte qual é a sua meta, quanto tempo você tem e em que ponto está, e todo dia ele te dá um passo pequeno, curto o bastante para uma sentada só.
Hoje pesou? Peça algo menor, e o passo diminui. Está firme há um tempo? Os passos crescem com você. Depois de uma pausa, o Aimora recomeça pelo menor passo, então você nunca precisa refazer o plano do zero. Sua sequência e seu progresso ficam no app, e a primeira pergunta do próximo dezembro já vai estar meio respondida. O Apple Watch e os widgets mantêm o passo de hoje à vista.
